| A volta |
[17 Jul 2008|11:38pm] |
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Se atravessasse contigo as avenidas de uma casa grande, dir-te-ia que partíamos numa expedição. Como um reconhecimento no escuro brilhante, de visita aos secretos segredos onde quase nem chegam feridas, nem pedidos, nem perguntas. Se pé ante pé se prolongasse um desenho entre os quartos desfeitos e os novos rostos, as cidades abrir-se-iam nas sombras e os silêncios seriam altíssimos sussurros do que guardamos tão nosso pedaço-do-que-sou-feliz-ou-sinto. O ar seria branco e denso de luz. O país, todo ele feito de janelas enormes. Se quebrássemos o ritmo num lance de escadas apontadas ao espaço, num entrelace de mãos cegas, de apertos no peito , de delírios mudos em salas vazias, emergiria intenso um compasso novo, circunferente e cheio. Mil saídas possíveis e nenhuma esquina-esconderijo. Só os olhos grandes de entrada no imenso, uma trama de arames e alavancas, pátios e claustros, um mapa de portas abertas e compartimentos selados. Seria a noite do deslizar perfeito, dos ângulos absolutos no encaixe de histórias e mares e cenários em fita. O olá interminável mesmo na altura de um adeus. No quarto de raio de quilómetro que afasta o meu voltar do teu misturam-se todas as direcções e os múltiplos regressos. Contas feitas, desatamos os embrulhos e mostramos as surpresas, por transferência, as que fazemos no fingir de que a nós nas farão um dia, as mesmas, sem que esperemos. Nenhum prenúncio, só o espanto. E se chegassem os corredores grandes e cheios de ecos, o teu sorriso marcado como um carreiro de migalhas seria a lembrança do voltar para o sítio certo, sem ninguém, sem sequer tu vires. Porque há um recheio inominável guardado em todos os armários do corpo, uma cifra irreconhecível para fora, um armazém de polpa, sumo e pulsações, a um multiplicado por todos cá dentro, que cresce e avassala, maior que o mergulho no bater do músculo-coração do mundo.
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| ::: s.e.l.f.::: |
[15 Aug 2007|09:19pm] |
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music |
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Mirah - Don't die in me |
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The mighty continents divided For a second time in all history They found themselves just floating free From all responsibility
Without the weight of being whole Some fruits evolved all on their own But if you want something back All the things that got cracked When i felt like you lied to me
And all the million mistakes And the kicks in the face But i don't want you to die in me
So when you say what you want That you need what you got Don't forget to be kind to me Now here's an apple with a tougher skin While you've got your pretty scales and fins you say See all the things that i can do So perfectly my body grew but in All the time you felt so free Did you forget how much you once loved me And if you want something back All the things that got cracked When i felt like you lied to me And all the million mistakes And the kicks in the face But i don't want you to die in me
So when you say what you want That you need what you got Don't forget to be kind to me
I don't want you to die in me
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| ::: e eu que nunca faço disto. e eu que ando perdida de tudo ::: |
[05 Nov 2005|10:38pm] |
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If you read this, if your eyes are passing over this right now, even if we don't speak often, please post a comment with a memory of you and me. It can be anything you want- good or bad. When you're finished, post this little paragraph on your blog and be surprised (or mortified) about what people remember about you.
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| ::: quando eu era miúda só queria que fosse verão o ano inteiro :: |
[06 Oct 2005|11:40pm] |
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music |
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Sondre Lerche - Maybe You're Gone |
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tenho dado por mim a pensar a 360º, entre dois carris que vão desenhando bacias hidrográficas e pequenas nascentes aqui e ali. o tempo tem passado a correr, aquela frasezeca que toda a gente diz e ouve dizer mas em que muito poucas vezes pensamos por mais de meio minuto intercalado com "o que faço para o jantar" ou "nasceu-me uma borbulha e não sei o que vestir amanhã". mas dizia, o tempo, todo a correr, já passou imenso tempo, já viste? ver-te foi uma coisa estranhíssima. confesso que na altura nem me apercebi de rigorosamente nada -estavamos tão cedo de manhã a arrumar e a preparar-, depois no carro encheu-me uma vontade de rir, daquele riso sem ser mau, um sorriso só de ser quase hilariante a situação e confesso que estava secretamente à espera dela, um sorriso de como as coisas mudam, de como as coisas se mantém, de como crescemos todos e nos movemos. a esta distância as coisas são muito menos subtis e muito mais calmas, transformou-se tudo em bocadinhos de papéis perdidos nos bolsos, embrulhados como pratas de chocolates, coisas boas com restos brilhantes e amargos de metal. depois de tudo quem diria, eu a sentir-me tão mudada, tão encontrada mas tão mais perdida do que antes... à parte das logísticas e dos pequenos acidentes sou feliz, aliás, é um estado tão semi-permanente que até chateia - sabes como é a minha faceta de drama queen. tenho planos novos e objectivos-próximos diferentes do que julgava que ia ter. sou muito menos genial do que sempre quis achar que ia poder ser, falhei redondamente em quase todas as coisas efectivamente importantes e agora é tudo só remendos e sim, a gente dá-lhe a volta, mas eu era tão miúda e as possibilidades eram tantas e bom, esperavamos todos tão mais do que aquilo que consegui entregar. daqui de onde estou agora é quase claro que tem tudo mais a ver com o sonho próprio do que com os braços que já não esticam na distância. mesmo com os planos novos, o storyboard num caderno acabado de estrear, uma longa-metragem com equipa e condições e budget para transformar a minha vida num filme de culto (b, claro), é incontornável esta melancolia que lambe, uma língua de gato pequenina a lavar-nos do quotidiano, a babar-nos de floquinhos mágicos sobre as possibilidades e aquilo que há de melhor no facto de sermos humanos. a verdade, e tu provavelmente consegues concordar, é que custa sobretudo largar os cenários e pensar que não vamos dizer as frases que sonhámos dizer e pensar que houve tantos momentos e tantas alturas, há tantos cantinhos e tantas referências e tantas coisas que ficaram com o sentido colado ali. aquilo que custa mais, se calhar, é sentir que aquele bocado de nós que ali ficou não pode ser transladado para outra parte activa da nossa vida, que não faz sentido chamar os mesmos nomes, brincar com as mesmas coisas, partilhar as mesmas migalhas de coisas tão significantes. e quando são coisas tão bonitas como as que tivemos, custa pensar que não as vamos voltar a ter, é como mudar de casa, da nossa casa preferida. quase gostei de te ver, não gostei que não tivesses tirado os óculos para te poder saber, custou-me que me tivesses tratado com tanta cerimónia, honestamente tinha achado engraçado que não nos tivessemos desencontrado durante o resto do dia. gostei de saber que estás na mesma nas tuas melhores coisas (dei um pontapé no teu blog de textos), as coisas que fizeram de ti sempre tão tão especial, e achei agridoce a confirmação da minha ideia de miúda com quem ias acabar por ficar, é tão similar à minha imagem mental - e digo isto sem ponta de maldade, achei só tão delicioso encontrar a figura que desenhei na cabeça há tanto tempo e só ter tido azar no dia da roupa e não ter encontrado uma t-shirt de riscas :)
é tudo de uma tristeza tão doce, ou de uma felicidade poética, cinemática e menos clara. gosto de ti, nunca deixei de me interessar, embora tu possas pensar que sim. é só mesmo assim, people are like seasons.
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